Bolsonaro e Malafaia lideram ato em Brasília pela anistia aos condenados de 8 de janeiro
Foto: Agência Brasil
Na tarde desta terça-feira (7), milhares de manifestantes se reuniram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em um ato organizado pelo pastor Silas Malafaia e com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação teve como principal pauta a defesa da anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por apoiadores do ex-presidente.
Apesar de ter recebido alta médica recentemente e orientações para evitar grandes aglomerações, Bolsonaro participou do ato e acenou aos apoiadores. Ao seu lado, Malafaia discursou pedindo que o Congresso Nacional aprove uma proposta de anistia, classificando os condenados como vítimas de “perseguição política”.

“Estamos aqui para mostrar que a voz do povo não pode ser calada. Esses brasileiros não podem ser tratados como criminosos por exercerem sua liberdade de expressão”, afirmou Malafaia durante o protesto.
A manifestação, no entanto, gerou forte reação de grupos democráticos e entidades de direitos humanos. Críticos da anistia afirmam que perdoar crimes ligados a um ataque direto à democracia seria uma grave ameaça ao Estado de Direito e incentivaria a impunidade.
Movimentos sociais e parlamentares contrários ao projeto destacam que muitos dos condenados participaram de ações violentas e organizadas com o objetivo de desestabilizar o regime democrático. “Não se trata de reconciliação, mas de justiça. Sem responsabilização, o golpismo pode se repetir”, afirmou um deputado presente em um protesto paralelo contra a anistia.
O ato também contou com a presença de Michelle Bolsonaro, parlamentares da oposição e lideranças religiosas alinhadas ao bolsonarismo. O clima, embora pacífico, foi marcado por discursos inflamados e apelos por mudanças nas decisões do Supremo Tribunal Federal.
O debate sobre a anistia deve se intensificar nas próximas semanas no Congresso Nacional, com pressão dos dois lados. Enquanto aliados de Bolsonaro tentam aprovar o projeto, juristas e representantes da sociedade civil alertam: “Sem justiça, não há democracia.”
